EDITOR : ALEXANDRE FRANÇA
COLABORDORES : ANDRÉ REIS E BETH SHIMARU
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terça-feira, 6 de maio de 2014

"O CASO DA BORBOLETA ATÍRIA"

por Alexandre França

As crianças de hoje tem perdido o hábito de ler livros que estimulem suas criatividades, que ampliem seus universos imaginativos e por consequência gerando uma enorme dificuldade em se permitir abstrações criativas. O mundo já está abarrotado de tanta realidade, seja ela virtual ou não. Hiper realidade de sentidos. Mas e a subjetividade? Aquilo que não se traduz? As ideias que se associam? Os sentimentos para além da compreensão....Talvez daí surjam tantos desafetos, tanta dificuldade em relacionamentos, tanta violência.... O post de hoje traz uma memória afetiva. Livros clássicos dos clássicos de quem viveu a infância e a pré-adolescência nos anos 70-80 do século XX. Títulos como O Caso da Borboleta Atíria, O Escaravelho do Diabo, O Cachorrinho Samba, A Montanha Mágica, Spharion, A Ilha Perdida, O Mistério do Cinco Estrelas... e uma série de outros livros que marcaram época. Emoção, doçura, aventura, diversão, conhecimentos.... O mundo está precisando de muitas crianças e adolescentes mais felizes.... Cabe a nós dar uma mãozinha.... e um bom livro.















quarta-feira, 2 de abril de 2014

"O PRATO AZUL-POMBINHO"

Cora Coralina


Era um prato sozinho, último remanescente, sobrevivente,
sobra mesmo, de uma coleção,
de um aparelho antigo de 92 peças,
Isto contava, com emoção, minha bisavó, que Deus haja.


Era um prato original, muito grande, fora de tamanho,
um tanto oval.
Prato de centro, de antigas mesas senhoriais
de família numerosa
de festas de casamento e dias de batizado.
Pesado. Com duas asas por onde segurar.
Prato de bom-bocado e de mães-bentas.
De fios-de-ovos.
De receita dobrada, de grandes pudins,
recendendo a cravo, nadando em calda.

Era, na verdade, um enlevo.
Tinha seus desenhos em miniaturas delicadas:
todo azul-forte, em fundo claro num meio-relevo.
Galhadas de árvores e flores, estilizadas.
Um templo enfeitado de lanternas.
Figuras rotundas de entremez.
Uma ilha.Um quiosque rendilhado.
Um braço de mar.
Um pagode e um palácio chinês.
Uma ponte.
Um barco com sua coberta de seda.
Pombos sobrevoando.

Minha bisavó traduzia com sentimento sem igual,
a lenda oriental estampada no fundo daquele prato.
Eu era toda ouvidos,
aquela estória da princesinha Luí, lá da China
- muito longe de Goiás -
que tinha fugido num quiosque muito lindo
com aquele a quem queria,
enquanto o velho mandarim - seu pai -
concertava, com outro mandarim de nobre casta,
detalhes complicados e cerimoniosos
de seu casamento com um príncipe todo-poderosos,
chamado Lí.
Então, o velho mandarim, que aparecia também no prato,
de rabicho e de quimono,
com gestos de espavento e cercado de aparato,
decretou que os criados do palácio
incendiassem o quiosque
onde se encontravam os fugitivos namorados.


E lá estavam no fundo do prato,
- oh, encanto da minha meninice! - pintadinhos de azul,
uns atrás dos outros - atravessando a ponte,
com seus chapeuzinhos de bateia
e suas japoninhas largas,
cinco miniaturas de chinês.
Cada qual com sua tocha acesa
- na pintura - para por fogo no quiosque
- da pintura.

Mas ao largo do mar alto
balouçava um barco altivo
com sua coberta de prata,
levando longe o casal fugitivo.

Havia um pombo com argolinha no pé,
e ali, uma mensagem da boa ama,
dando aviso a sua princesa e dama,
da vingança do velho mandarim.


Os namorados, então, na calada da noite,
passaram sorrateiros para o barco,
driblando o velho, como se diz hoje.
E era aquele barco que balouçava no mar alto da velha
China,
no fundo do prato.

Eu era curiosa para saber o final da estória.
Mas o resto, por muito que pedisse, não contava a minha
bisavó.
Dizia ela - o resto não estava no prato nem constava do
relato.
Do resto, ela não sabia.
E dava o ponto final recomendado.
“- Cuidado com este prato!
É o último de 92.”

Devo dizer, que esses 92 não foram do meu tempo.
Os outros - quebrados, sumidos, roubados
- traziam outros recados, outras legendas.


Do meu tempo só foi mesmo aquele último
que, em raros dias de cerimônia ou festas do Divino,
figurava na mesa em grande pompa,
carregado de doces secos, variados, muito finos,
encimados por uma coroa alvacenta e macia
de cocadas-de-fita.

Às vezes ia de empréstimo à casa da boa tia Nhorita.
E era certo no centro de mesa
de aniversário, com sua montanha de empadas, bem tostadas.
No dia seguinte voltava, conduzido por um portador
que era sempre o preto de valor Abdênago,
de alta e mútua confiança.
Voltava com muito-obrigados e, melhor - cheinho de doces e salgados.
Tornava a relíquia para o relicário
que no caso era um grande e velho armário
alto e bem fechado.

UM DIA...
por azar, sem se saber, sem se esperar,
artes do salta-caminho, partes do capeta,
fora de seu lugar, apareceu quebrado,
feito em pedaços - sim senhor -
o prato azul-pombinho.


Foi um espanto.Um torvelinho. Exclamações. Histeria coletiva.
Um deus-nos-acuda. Um rebuliço.
Quem foi, quem não foi?...

O pessoal da casa se assanhava.
Cada qual jurava por si.
Achava seus bons álibis.
Punia pelos outros.
Se defendia com energia.

Eu, emocionada, vendo o pranto de minha avó,
lembrando só da princesinha Luí -
comecei a chorar,
que chorona sempre fui.


Foi o bastante para ser acusada e apontada
de ter quebrado o prato.
Chorei mais alto, na maior tristeza,
comprometendo qualquer tentativa de defesa.

De nada valeu minha fraca negativa.
Fez-se o levantamento de minha vida pregressa de menina
e a revisão de uns tantos processos arquivados,
tinha já quebrado - em tempos alternados,
três pratos, uma compoteira de estimação,
uma tigela, vários pires e a tampa de uma terrina.

O dito, melhor feito.
Logo se torceu no fuso um cordão de novelão.
Encerado foi. Amarrou-se a ele um caco, de bom jeito,
em forma de meia-lua.
E a modo de colar, foi posto em seu lugar,
isto é, no meu pescoço.
Ainda mais agravada a penalidade:
proibição de chegar na porta da rua.
Era assim, antigamente.


Dizia-se aquele, um castigo atinente,
de ótima procedência. Boa coerência.
Exemplar e de alta moral.

Chorei sozinha minhas mágoas de criança.
Depois, me acostumei com aquilo.

No fim, até brincava com o caco pendurado.


E foi assim que eu guardei no armarinho da memória,
bem guardado, a estória, tão singela,
do prato azul-pombinho.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

"Lançamento do livro de artista Pé de Livro"

por Alexandre França

Hoje é o lançamento do livro de artista Pé de Livro do artista plástico Helio de Lima, o Giragiraffa convida todos a prestigiarem o evento que acontece as 20:00h na Casa de Cultura de Uberlândia.

Contamos com sua presença!



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Livro/cd infantil "Zoic e o Futuro do Planeta"

por Fernanda Oliveira

Zoic e o Futuro do Planeta é um livro infantil muito criativo, que tem ainda objetivos educacionais. É antes de tudo uma boa história que busca cativar a criança, fazendo-a se identificar com os personagens como sendo “de sua própria família”- real ou imaginária. Estimula a fantasia, o sentimento de aventura, e valoriza atos positivos que geram satisfação, alegria e bem estar em uma narrativa sempre acompanhada pelas ricas ilustrações presentes em todas as páginas. Traz ainda um anexo com tópicos para possível uso didático do material, seja pelos pais ou por professores.


Conta a história de Jonas, um garoto muito descuidado com o meio-ambiente que, ao fuçar nas gavetas de seu avô, sr. Ventura, descobre um tesouro: uma medalha de ouro! Seu Ventura diz então a Jonas o motivo pelo qual ganhou a medalha: ele participara de uma viagem espacial muito especial, num foguete que daria a volta na órbita da Terra, mas que graças a um passageiro muito atrapalhado acabou entrando em um buraco negro! O foguete então caiu em um planeta estranho, todo destruído, onde morava um alienígena muito simpático chamado Zoic. “O que aconteceu no seu planeta? Foi uma bomba?” Perguntou seu Ventura, ao que Zoic respondeu em um português esquisito: “não, o que aconteceu mais triste que uma bomba foi; os próprios habitantes culpados foram.” Zoic então conta sua história e ajuda os terráqueos a voltar para casa, trazendo uma mensagem muito importante.


Criado por Giordano Pagotti e Fernanda de Oliveira, Zoic e o Futuro do Planeta contou com o apoio constante da Dra. Sueli A. De Godoy Pagotti e o Dr. Antônio Wilson Pagotti, ambos doutores em psicologia da educação.


Zoic e o Futuro do Planeta não se prende à literatura: é complementado por um CD que contém a narração da história e uma trilha sonora própria, composta para orquestra e gravada por um grupo de treze instrumentistas. A música acompanha a narrativa, envolvendo as emoções em cada sequência e contribuindo para a criação de um mundo fantástico na imaginação dos leitores. Estimula também a percepção musical da criança, instigando-a a observar as sonoridades e descobrir novos timbres e combinações sonoras. Além disso, o CD possui a música sem a narração, o que amplia as possibilidades de exploração sonora e permite que os pais contem a história eles mesmos para as crianças.

A narração da história: envolvente, ela promove a cumplicidade com os personagens, atendendo também as crianças que ainda não passaram pelo processo de alfabetização e podendo contribuir na formação de indivíduos com deficiência visual.


Na história de Zoic e o Futuro do Planeta há vários aspectos que tocam a sociedade atual, sendo o cerne principal a sustentabilidade – o respeito e a valorização do meio ambiente, a preservação do planeta e o incentivo a que cada um faça o melhor para cuidar da natureza. Trata ainda da qualidade do relacionamento humano, ressaltando a honra, que não pode ser vendida; o mérito, que deve ser valorizado; a solidariedade, que promove o bem estar do próximo; o companheirismo, que faz com que as atividades compartilhadas promovam a realização social; e, enfim, a valorização da gratidão, pelo sensibilizar-se através da relação de ajuda.

Nesse sentido o livro/CD Zoic e o Futuro do Planeta é uma boa alternativa para pais e professores, tanto no lazer familiar como na estratégia educacional.

Autores: Fernanda de Oliveira e Giordano Pagotti
Trilha Sonora: Giordano Pagotti
Ilustrações: Grupo Mochila
Narração: Matheus Chaves, Fernanda de Oliveira, Antônio W. Pagotti, Sueli A. de Godoy Pagotti, Giordano Pagotti.



Assistam `a amostra de 2 minutos do material, com as imagens, a narração e a trilha sonora. A duração completa da história no CD que acompanha o livro é de aproximadamente 18 minutos:

http://vimeo.com/76186609

Website do livro: http://zoic.com.br

Fanpage no facebook: www.facebook.com/zoiclivro


terça-feira, 8 de outubro de 2013

"A CANASTRA DA EMÍLIA"

por Alexandre França


Para além de tantos personagens sedutores existentes na literatura brasileira, uma em especial sempre me atraiu. A sapeca Emília do Sitio do Pica Pau Amarelo. Espevitada que só, cheia de energia, colecionadora de ideias, experimentadeira de mão cheia. Curiosa, sempre se permitiu descobrir coisas. Associadora de pensamentos, liberta de pré–conceitos. Cabelos alaranjados (amarelos + vermelhos). Estudiosos dizem ser o alter ego de Monteiro Lobato. Me reconheço nela. Sua canastra (ou bauzinho pra guardar coisas) é um mini imaginário ateliê artístico. Coleciona cores, formas, objetos inusitados, descartes, preciosidades desvaloradas, pedacinhos de inteiros, pontas de icebergs, sementes em hibernação. Caixinha de segredos adormecidos, memórias especiais, vontades de fazeres. Muita gente tem sua canastra. Arquivos de vida, coleções de escolhas. Uma boneca tão intensa de criatividade pode ser espelho de muitas pessoas, e talvez por isso seja sempre atemporal, imortal, sempre geradora de sentidos. Todo sábado de manhã continuo vendo o novo desenho da turma do Sítio do Pica Pau Amarelo. Que toda criança tenha chance de ser um pouco Emília na vida !




sexta-feira, 4 de outubro de 2013

"OS 100 ANOS DE VINÍCIUS DE MORAES"

por Alexandre França


Daqui a duas semanas, o carioca que trouxe em si um pedacinho da alma de tantos brasileiros, Vinícius de Moraes, completaria 100 anos de nascimento. Diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor de marcos importantes da música popular brasileira.


Poeta essencialmente lírico, ganhou o apelido "poetinha", atribuído pelo não menos genial Tom Jobim Vinícius. Seus sonetos renderam lhe notoriedade. Conhecido como um boêmio de carteirinha, era também famoso por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida. Talvez por isso o Amor tenha sido seu grande tema criativo. Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Na musica, teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.


Na semana próxima ao dia da criança, vale a pena conferir sua obra dedicada aos menores de todas as idades. Incluindo os que cresceram sem deixar desaparecer a criança que existe dentro de cada um de nós.