EDITOR : ALEXANDRE FRANÇA
COLABORDORES : ANDRÉ REIS E BETH SHIMARU
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

"CHUVA"

por André Reis


Esse final de semana,

a minha alegria foi tão grande,

quando senti no ar o cheiro da chuva,

mais alegria ao escutar os pingos no telhado.

Para celebrar a chegada da chuva,

um poema de Fernando Pessoa.


“Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente…”

Fernando Pessoa.




quarta-feira, 30 de julho de 2014

"VIVA A GENTILEZA"

por Alexandre França



Essa semana comentei com um jovem amigo sobre o Profeta/Poeta Gentileza. Ainda desconhecido para ele, resgatá –lo em minha memória trouxe aos meus ouvidos a linda canção que Marisa Monte fez sobre esse senhor tão singular em suas escolhas e forma de se expressar.

Num tempo de tanto egoísmo e pouco cuidado para o próximo e a natureza, talvez seus simples pensamentos devessem ser ensinados nas escolas....


Segundo texto de Paula Vaz:

“Seu nome de batismo era José Datrino. Foi paulista de nascimento e de morte, mas o Rio de Janeiro foi a cidade escolhida por Datrino para distribuir 'gentilezas'.Vivendo de forma muito simples e sempre vestido com uma túnica branca, andava pela cidade e na barca Rio/Niterói levando sempre palavras de amor, bondade e respeito ao próximo e à natureza.
Na Eco-92 incitou os representantes mundiais a vivenciarem a gentileza e a aplicarem em seus países de origem e pelo no mundo.
O 'profeta Gentileza', como ficou conhecido, registrou palavras de amor em 56 pilastras do viaduto do Caju, com inscrições em verde e amarelo, que foram depois danificadas pelo tempo e por pichadores, até que um dos administradores do Rio decidiu apagá-las definitivamente, pintando os muros de cinza.
A eliminação das inscrições foi criticada e, posteriormente, com o apoio da própria prefeitura da cidade do Rio, foi organizado o projeto Rio com Gentileza, com o objetivo de restaurar as pilastras. O Projeto foi concluído em 2000.”













Toda essa história levou à criação da canção a seguir:

GENTILEZA
Marisa Monte

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras e as palavras de gentileza

Por isso eu pergunto a você no mundo
Se é mais inteligente o livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é um circo
Amor palavra que liberta
Já dizia um profeta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro tristeza e tinta fresca
Por isso eu pergunto a você no mundo
Se é mais inteligente o livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é um circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o profeta


sexta-feira, 18 de julho de 2014

"COQUEIROS"

por Alexandre França

Coqueiros.


Pés de coco, pais de coco.

Filhas delícias cocadas.


Brancas ou mulatas seduzem nossas bocas.

Lábios que se lambuzam de suas doces águas guardadas pela caixa dura de suas cascas.



Dançantes ventos por entre suas folhas

Desenham listras de sombras em quem por abaixo se esparrama.




Das folhas tranças trançadas




Trecos, troços, tesouros.




Cestos tramados para acolher frutos.



Fruta coco do coqueiro.




sexta-feira, 4 de outubro de 2013

"OS 100 ANOS DE VINÍCIUS DE MORAES"

por Alexandre França


Daqui a duas semanas, o carioca que trouxe em si um pedacinho da alma de tantos brasileiros, Vinícius de Moraes, completaria 100 anos de nascimento. Diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor de marcos importantes da música popular brasileira.


Poeta essencialmente lírico, ganhou o apelido "poetinha", atribuído pelo não menos genial Tom Jobim Vinícius. Seus sonetos renderam lhe notoriedade. Conhecido como um boêmio de carteirinha, era também famoso por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida. Talvez por isso o Amor tenha sido seu grande tema criativo. Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Na musica, teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.


Na semana próxima ao dia da criança, vale a pena conferir sua obra dedicada aos menores de todas as idades. Incluindo os que cresceram sem deixar desaparecer a criança que existe dentro de cada um de nós.