EDITOR : ALEXANDRE FRANÇA
COLABORDORES : ANDRÉ REIS E BETH SHIMARU
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

"CORRIDA DAS CORES"

por Cíntia Guimarães

No dia 01/12 desembarcou em Uberlândia mais uma etapa da Corrida das Cores, envolvendo toda a população com muita alegria e energia nessa corrida que já se tornou a mais Feliz do Brasil.

Studio Loft da Imagem esteve presente e registrou alguns destes momentos, confiram abaixo as imagens.












Cíntia Guimarães

quarta-feira, 17 de julho de 2013

"Maratona – O segredo dos quenianos"

por Alexandre Corrêa


Correr uma maratona (42,195 km) nos leva a conhecer nossos limites físicos e emocionais. Completar a prova é um feito reservado para uma pequena parcela de corajosos que não sairão imunes dessa experiência. Levarão para o resto de suas vidas os efeitos benéficos desse momento especial.

Nas principais maratonas disputadas no mundo, junto dos atletas amadores, largam um grupo especial de corredores que encaram a prova para além dos seus limites. Esses seres, reconhecidos como a elite do esporte, correrão os 42,195 km em um tempo próximo a duas horas. É algo realmente para alguns poucos mortais e sem medo de errar, boa parte desses felizardos nasceram no Quênia.

O recorde mundial da maratona é de um atleta queniano. Patrick Makau Musyoki detém o tempo de 2h03min38 conquistado em 2011 na Maratona de Berlim. Atrás dele, ao menos uma dúzia de compatriotas conseguem correr a prova em até 2h05min.

O segredo dos quenianos? Determinação.

Evidentemente fatores como herança genética, altitude do país onde nasceram e os hábitos alimentares saudáveis (pouca carne, pouca gordura e sal) também influenciam nos ótimos resultados. Mesmo assim, sem a dedicação com que os atletas quenianos se entregam nos treinos certamente não seriam imbatíveis nas provas de resistência.

Pedro Cerize, maratonista amador brasileiro, passou um tempo treinando no principal centro de preparação de atletas do Quênia e conheceu de perto a rotina dos maratonistas daquele país (matéria publicada na revista Contra Relógio, edição 230, novembro de 2012). Segundo Cerize, eles completam uma rotina de três treinos diários em seis dias da semana. Às seis da manhã, em jejum, correm aproximadamente uma hora em ritmo agradável. Após o café executam sessões intensas de treinos intervalados, de velocidade (tiros), de força (tração), exercícios funcionais e inevitáveis “longões” (aos sábados). No final das tardes ainda executam uma corrida regenerativa de mais uma hora (intensidade leve) com sessões de alongamento, musculação e fisioterapia.

Melhor que palavras, as imagens do curta/documentário abaixo ilustram bem a determinação dos quenianos nos treinos para corridas de rua.



quinta-feira, 30 de agosto de 2012

"Leve a vida na correria!"

por Alexandre Corrêa



Irônico, mas levar a vida na correria ganhou sentido pejorativo na sociedade moderna. Para muitos, o termo representa tão somente uma rotina estressante de trabalho, pouco lazer, distância dos amigos e da família, saúde em desequilíbrio, preocupações financeiras e patrimoniais, enfim, não é difícil encontrar pessoas próximas a nós com esta multiplicidade de aflições.

Longe de tentar parecer um “guru” da vida saudável, acredito que levar a vida na correria pode representar o oposto de uma rotina estressante.

Aparentemente sacrificante para alguns iniciantes, a corrida traz tão bons resultados para o organismo que se torna um enorme prazer com o passar dos anos. Basta observar a longevidade dos corredores mais experientes. Tenho convivido com muitos deles por mais de sete anos correndo e sempre encontro pessoas agradáveis, alegres e confiantes.

Claro, começar exige alguma força de vontade, existe aquele período inicial de negação que nos cobra uma boa razão para o “sacrifício” de correr alguns dias na semana. Emagrecer rápido ou uma orientação médica são as primeiras razões da lista. Mas note, não há melhor motivo para correr do que o prazer de correr. Trata-se de um momento consigo mesmo em que se pode encontrar paz e equilíbrio para seguir com os compromissos diários de trabalho, família e amigos. Emagrecer, controlar hipertensão, glicemia (para os diabéticos), tudo isso são boas consequências do simples prazer de correr.

Correr é bem mais do que uma ação física. Não interessa se corro lento ou veloz, por muito ou pouco tempo, acompanhado ou só, o ato nos obriga a deixar de lado tudo que não seja imprescindível à boa execução do exercício. O esforço para avançar requer persistência e algum tempo depois o corpo se acostuma, há um sensível relaxamento, os movimentos ficam mais soltos e a mente descansa. É nesse estado que geralmente surgem bons pensamentos e sentimos que podemos correr por mais tempo. No final, leves e bem dispostos, a respiração vem fácil. E aquele eventual problema que nos afligia antes da corrida já não é tão “problema” assim.

Ainda indeciso? Não tem certeza se consegue?. Tá bom! É mais ou menos assim: Tudo pode começar com um objetivo modesto, correr 3 Km e caminhar outros três por exemplo. Se conseguimos, sentimos o quão capazes somos e seguimos mais confiantes, nos permitimos forçar um pouquinho até que aparecem as primeiras “dorzinhas” musculares. As pernas parecem travadas, mas por uma questão de honra repetimos o feito no dia seguinte. A respiração é mais profunda após alguns dias de corrida, os pulmões agradecem e o cérebro estimulado nos leva adiante. O sorriso franco não esconde a estima elevada, apesar do cansaço. Ao final de um ciclo, mesmo parecendo tudo muito difícil, não tem mais como continuar na cama numa manhã ensolarada de sábado e agora já era, virou hábito, saímos para correr, refletir, ouvir os pássaros e celebrar a vida.

Quem já passou por esse processo guarda as boas lembranças da fase inicial de treinos. Vencido o sedentarismo, o corpo pedirá mais a você e logo descobrirá que ele sempre reclamou o direito de correr por anos. Aqueles sintomas de um mal estar insistente era o seu corpo pedindo exercícios físicos. Sim, as dores de cabeça, estomacais, musculares e tantas outras que apareciam sem razão qualquer, desapareceram com a corrida habitual. Ah! Sua alimentação também mudará bastante, logo irá notar. O melhor desempenho nas corridas exige boa nutrição e não apenas comer qualquer “coisa”.

Exercício físico é condição para uma vida saudável e a corrida aparece como um dos mais democráticos exercícios que alguém pode praticar. Jovens, velhos e bem mais velhos estão convidados a correr gastando quase nada. Basta uma roupa leve no verão, algum agasalho no inverno e um par de tênis adequado. A corrida acontecerá num parque ou nas ruas de qualquer cidade do mundo.


Tenha uma boa vida, na correria.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

"Corra! O que está esperando? Nunca é tarde para começar."

por Alexandre Corrêa

Se você chegou aos 40, 50 ou mesmo 60 anos e está naquela fase de pensar se a esta altura da vida é possível iniciar uma atividade física regular, melhor conhecer o indiano Fauja Singh.


Nascido em 1911 na  aldeia de Beas Pind, em Punjab, Índia, o maratonista mais velho do planeta passou pelo mesmo dilema ao completar 80 anos. Àquela época, após perder filho e esposa, Fauja se mudou para a Inglaterra e lá decidiu fazer algo pela sua saúde. Começou a correr.
Próximo de comemorar 101 anos, Fauja é um veterano das maratonas e detém o título de maratonista mais velho do mundo. Em outubro do ano passado ele completou a Toronto Waterfront Marathon em pouco mais de 8 horas. Feito jamais alcançado por qualquer outro ser humano centenário em provas oficiais.
Questionado sobre o segredo para tanta vitalidade, o elegante senhor não tem dúvida alguma: exercícios físicos regulares e uma alimentação frugal, equilibrada. Fauja corre 10 km diariamente e é vegetariano.



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

"A cidade das bicicletas"

por Alexandre Corrêa.



Copenhague_2011_ 

Reflita. A cidade que você escolheu para viver conta com políticas públicas voltadas para a boa saúde de seus habitantes? Sobre o tema, logo pensamos nos hospitais públicos, na oferta de medicamentos, na rede de atendimento médico e nos serviços de tratamento de água e esgoto. Sim, tudo isso é necessário e deve existir da forma mais eficiente possível, mas saúde pública não pode se limitar a esta estrutura no atual estágio de desenvolvimento econômico-social do país. Cada vez mais, saúde pública dependente de ações governamentais capazes de evitar ou mesmo retardar doenças. Medidas preventivas de restrição ao fumo, de incentivo ao uso de preservativos nas relações sexuais e mais recentemente, a obrigação das montadoras reduzirem a emissão de gases tóxicos nos veículos fabricados, são bons exemplos brasileiros.

Esta reflexão me deixou curioso quanto aos dados da saúde pública do lugar onde vivo. Uberlândia, localizada no centro do Triângulo Mineiro é uma belíssima cidade e concentra quase um quarto da população desta região. São aproximadamente 630 mil pessoas vivendo por aqui (CENSU – IBGE/2010). O último relatório de gestão da Secretaria Municipal de Saúde, divulgado no ano passado, informa que o município conta com 360 milhões de reais anuais para promover a saúde local. Isto permite uma aplicação per capta de aproximadamente R$ 600,00.

Interessou-me então conhecer a natureza das doenças que mais oneram os cofres públicos de Uberlândia. Dentre as patologias enumeradas no relatório, destaque para as doenças do aparelho circulatório, causa maior dos óbitos ocorridos no município em 2010, especialmente entre as pessoas de 40 a 59 anos. Os dados não destoam do que ocorre no restante do país. O Ministério da Saúde atualmente aponta o AVC (acidente vascular cerebral) como a maior causa de morte no Brasil.

Hábitos de vida nada saudáveis como o tabagismo, o alcoolismo e o sedentarismo, somados a fatores genéticos e a rotinas estressantes (longas jornadas de trabalho e vida em cidades poluídas), explicam tais números. Alguns vão afirmar que apesar de tudo, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou na última década. Correto, mas creio ser questão maior neste contexto, não apenas viver, mas como viver.

A qualidade de vida pauta discussões em todo o planeta fruto da urgente demanda ambiental e das disparidades sócio-econômicas entre as nações. Não apenas a vida de cada um interessa, mas a qualidade da vida coletiva. O direito a uma existência digna parece finalmente orientar políticas públicas voltadas para o desenvolvimento humano. Logo, o bem estar do meu vizinho interessa-me por vários fatores sociais relevantes, a começar pela saúde da comunidade onde vivo. Uma sociedade sadia significa redução de custos e otimização de ganhos. Os cofres públicos são menos onerados com demandas da saúde pública. Por outro lado, a força produtiva aumenta como consequência da boa saúde populacional e um quadro promissor para o desenvolvimento passa a existir.

Será que estou me perdendo em utopias? Resolvi buscar alguma referência mundial. Dentre as várias possibilidades, Copenhague, capital da Dinamarca, pareceu-me interessante por conta da solução adotada para o seu caótico trânsito da década de 80. A cidade colocou seus moradores para pedalar. Hoje, ao lado de de Amsterdã e Barcelona, Copenhague tornou-se uma das três melhores cidades para se pedalar no mundo.

Há três décadas o governo da capital dinamarquesa, atendendo reivindicação da população, iniciou um programa de incentivo ao uso das bicicletas como principal meio de transporte para residentes e turistas. O resultado é surpreendente. Copenhague se aproxima da minha cidade em tamanho. Sua população na área urbana concentra cerca de 540 mil moradores (1,1 milhão, considerando o entorno), enquanto cá, residem aproximadamente 630 mil pessoas. No sítio oficial da cidade, a prefeitura disponibiliza um levantamento mostrando que cerca de 40% da população usa regularmente a bicicleta para trabalhar e estudar. Apenas 20 % das pessoas usam seus carros na cidade, o restante prefere o transporte público coletivo ou se locomovem como pedestres. Até 2015 a administração pública espera que 55% da população tenha a bicicleta como transporte habitual.

The Museum of Danish Resistance 1940-1945_Copenhagen

O estudo aponta ainda sensível decréscimo na frota de veículos particulares na última década. A proporção de carros por habitante é de 1 para 5, numa frota estimada em 96 mil veículos. Para se ter uma ideia do que isto significa, Uberlândia, onde resido, encerrou o ano de 2011 herdando a segunda maior frota de veículos do Estado de Minas Gerais. São 327 mil veículos circulando diariamente por suas ruas congestionadas e poluídas (ruído e fumaça). A relação de um veículo para cada dois habitantes em minha cidade é realidade cada vez mais alarmante.

Teoricamente na “contramão” do desenvolvimento, Copenhague preparou o seu trânsito para priorizar as bicicletas. São 350 km de ciclovias ligando o centro aos principais bairros. Boa sinalização e pavimentação garantem o máximo de segurança aos ciclistas e o transporte público coletivo permite a integração das bicicletas com o metrô, trens e ônibus. Além disso, inúmeros bicicletários estão instalados em empresas, prédios públicos e privados. Existe também um serviço público de empréstimo de bicicletas.

O prefeito da cidade, Frank Jensen, diariamente segue para a prefeitura, pedalando. Ele aponta a meta para 2025. Tornar Copenhague a primeira cidade totalmente sustentável do planeta. A depender das bikes e demais programas “verdes” como a coleta seletiva do lixo e a produção de energia eólica, que por sinal atende 20% da demanda energética do país, muito provavelmente o título virá antes.

Os números da cidade das bicicletas mostram que os gastos públicos, não só com a saúde, reduziram consideravelmente. Cada ciclista pedala em média 17 km por dia, viajando a 20 km/h, ou seja, a população se movimenta muito num trânsito seguro e com pouco stress. Todos estes fatores, somados à redução da frota de veículos na cidade, revelou, segundo estudos da prefeitura, que a cada quilômetro pedalado, Copenhague ganha R$ 0,40, ao passo que cada quilômetro percorrido de carro faz com que os cofres públicos percam R$ 0,25.

Os motivos para índices tão surpreendentes são facilmente identificados. A bicicleta em Copenhague funciona como um bom instrumento de promoção da saúde preventiva. Desde a implantação, o programa gerou drástica redução de acidentes automobilísticos e contribuiu para diminuir os níveis de poluição sonora e de gases tóxicos. A lógica dos dinamarqueses é simples: menos veículos circulando pelas ruas, menos doenças respiratórias e cardíacas; mais pessoas pedalando, mais saúde coletiva.

Voltemos à minha cidade. O sítio da prefeitura de Uberlândia também apresenta informes detalhados sobre as políticas públicas empreendidas para o bem estar da população. Depois de conhecer o sistema de trânsito eleito pelos dinamarqueses, busquei identificar as prioridades do poder público de Uberlândia na organização do trânsito. Segundo a Secretaria de Trânsito e Transportes (Settran), a malha viária municipal tem 2.800 km, dos quais apenas 32 Km estão reservados para ciclistas. Assim como a prefeitura de Copenhague, o governo municipal de Uberlândia também tem um plano para melhorar o trânsito local. Até o final deste ano o “Programa Uberlândia Integrada” pretende investir cerca de 80 milhões de reais em novas avenidas e viadutos para atender os seus 327 mil veículos.

E as bicicletas de Uberlândia, alguma chance? Acreditava que sim, já que não cai neve por aqui, o clima é tropical, chove pouco, a cidade é bastante plana, enfim, apresenta condições bem mais favoráveis para boas pedaladas do que as existentes em Copenhague. Como já desconfiava, ainda não estamos preparados para medidas comprometidas com a prevenção na saúde pública se o assunto é mobilidade urbana. Dentre as grandes cidades brasileiras, raríssimo exemplo é dado pelo Rio de Janeiro. A cidade possuí a maior ciclovia do país com 140 km de faixas exclusivas para as bicicletas, além de oferecer 190 bikes de aluguel.

“O maior conjunto de obras viárias da história de Uberlândia”, conforme slogan publicitário do programa governamental, entregará apenas 7 km de ciclovia no curso lateral da principal avenida da cidade. Interessante notar que os 327 mil veículos de Uberlândia representam o triplo do que aqui existia há 6 anos. A continuar assim este número deverá duplicar até 2015. Proporcionalmente isto pode representar mais acidentes, mais poluição, mais doenças e mais gastos com saúde pública.


Comparando as bicicletas de Copenhague com a frota de veículos de Uberlândia, dúvidas não tenho sobre qual caminho deveríamos seguir.

Referências:



quarta-feira, 18 de julho de 2012

"Minha cidade está correndo muito!"

por Alexandre Corrêa.


A multiplicação das corridas de rua no Brasil é um fenômeno que merece todo nosso entusiasmo. Afastados os interesses econômicos, inegável são os benefícios para a saúde pública. Cidades do interior como Uberlândia, Ribeirão Preto e Londrina, por exemplo, já conseguem reunir ao menos 1.500 corredores para provas bem organizadas e disputadas. Há oito anos acompanho a rápida evolução das corridas de rua em minha cidade. Trata-se de um movimento saudável que avançou das capitais para o interior do país. Parece ser um processo irreversível a bem de uma população muito mais saudável.

Em Uberlândia, Triângulo Mineiro, nos últimos cinco anos tivemos 03 edições da Meia Maratona do Cerrado e várias provas do Circuito nacional CAIXA. Este ano uma grata surpresa. Além da etapa do circuito CAIXA que aconteceu no primeiro semestre, nos dois próximos meses nada menos que três boas provas foram incorporadas ao calendário local.

Aguardaremos agora a próxima edição da Meia Maratona do Cerrado e quem sabe uma primeira Maratona. A cidade merece, tem excelente estrutura e corredores bem preparados não vão faltar. 

Felicitações aos organizadores e atletas que puseram esta cidade para correr. Eis as nossas próximas provas. Corram para as inscrições: