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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

'Minha Istambul (Turquia) 1a. parte"

por Ewaldo Chiang - Grand China


Não é por acaso que existem bilhões e bilhões pessoas no mundo e cada uma tem a sua personalidade e as suas experiências. Tenho o prazer de expor então a minha na Turquia, mais especificamente Istambul. Vou contá-la em 2 partes. É eu sei, já tem muita literatura sobre esta cidade, guias, "tours", pacotes, dicas, e até novela, mas a experiência que vou contar, penso, foi a única (sem demagogia).

Conheci Istambul, através de uma viagem que fiz a Índia. Neste roteiro estivemos também na Grécia (Atenas, Creta e Santorini). Viajamos de Turkish. Para resumir a companhia é ótima, tanto no serviço como na comida. Nosso primeiro destino foi a Grécia, e como não havia vôo para Atenas no mesmo dia, tivemos uma parada de 10 horas em Istambul com direito a hotel e traslados.

Chegamos ao hotel às 19:30h. Éramos ao todo 10 passageiros. Alguns estavam cansados e se recolheram. Outros jantaram no hotel. Nós (eu e minha mulher, Cris) também estávamos cansados e o nosso vôo partia às 04:00h. Ela me perguntou se eu queria descansar... Mas descansar porquê e pra quê? Decidimos então ir ao centro. O hotel ficava um pouco afastado mas estava próximo da estação de metrô. Pegamos umas orientações e saímos no meio da noite. Minha mulher já tinha estado e se maravilhado com a cidade. Mesmo à noite, Istambul era muito tranquila e segura.

Depois de meia hora chegamos ao centro e descemos em frente à Mesquita Azul. Desculpe gente, mas não vou falar de história (depois vocês pesquisam na web), que é fascinante, pois o foco é a minha experiência. Já era umas 21:00h.

Jantamos em um restaurante, e são dezenas pela avenida e na linha do metrô (não tem muros nem grades e mesmo assim ninguém desrespeita), e fomos caminhar. Entre os restaurantes haviam muitas confeitarias.

Estava bem satisfeito, mas a Cris insistiu e levamos vários doces para "viagem". Descendo a avenida principal, continuamos nossa caminhada, parando e apreciando cada comércio. Decidimos então subir pelo outro lado da avenida. "_ Vamos tomar um banho turco?" Foi o que ela sugeriu. Fiquei intrigado, mas como já estava de "joelho" fomos à uma casa de banho centenária e tradicionalíssima, Çemberlitas (é com ç mesmo). O prédio, que parecia uma mesquita, foi construída em 1.584. Entramos e paramos já no guichê. Existem várias opções de banho e haviam dois salões (um para os homens e outro para as mulheres e crianças). Minha mulher sugeriu o completo. "_Completo?", questionei. "_Você não vai se arrepender!", ela me retrucou. Num primeiro momento achei caro (US$ 50), mas confesso, valeu cada centavo. Depois do pagamento, a atendente te entrega uma ficha (massagem de óleo), um sabonete de oliva, uma cumbuquinha de prata, e uma bucha vegetal descartável... Fiquei curioso também. Na entrada me deparei a um salão de pé direito altíssimo. Me pediram para subir uma escada (antiga de madeira) e no primeiro piso, tinha mais dois(para superlotação), um senhor (bem típico e bonachão, com aquele bigodinho) de poucas palavras, me deu uma toalha. Neste piso haviam vários mini-quartos onde se podia trocar e guardar os pertences. Passei a toalha na cintura, tranquei o quartinho e desci.

Na época estava frio. Entrei em uma anti-sala e já comecei a me sentir bem (estava quentinho). Quando entrei na sala de banho propriamente dita, fiquei espantado. O salão era circular e enorme com o teto em forma de cúpula; havia também um elevado circular no meio, todo de mármore branco. Lá, várias pessoas estavam descansando e se relaxando. Em volta do salão haviam vários altares com as respectivas pias (de mármore) e torneiras douradas que jorravam água quente. Decidi ficar de pé pra vivenciar um pouco aquele ambiente. Nem imaginava o que era uma sala de banho "turca". Foi aí que outro turco bonachão (com aquele bigodinho) me chamou para, acreditem, me dar banho... É você também estaria sem jeito... Me pediu para deitar de bruços na beirada do elevado. Imaginem... Estava frio, mas ao deitar, aquele mármore estava quentinho, a sensação foi muito boa. Ele encheu a cumbuquinha de água e me molhou. Pegou a bucha, esfregou-a no sabonete (tinha uma aroma de azeite extra virgem) e começou a me dar banho... Cara!!!.... Te confesso.... Nem o banho que minha mãe me deu com 6 anos e minha mulher quando casado, foi melhor!! Era como se eu tivesse muito sujo. Ele me esfregou dos pés a cabeça... Você pode até ter pensado em maldade, mas tudo foi muito profissional. Este senhor, de uns 50 anos, passa o dia inteiro dando banho nos clientes... Depois do "esfrega, esfrega", ele apertou (massageou) meu pescoço, as minhas costas, as coxas, as batatas da perna e os pés. Só pra vocês entenderem a "sensação" boa, nós tínhamos desembarcado nesta cidade após 15 horas de vôo. Dá pra imaginar se foi bom ou não?!
Depois desse deleite, foi a vez dos cabelos. Achei que já tivesse tirado todos os "macucos" do corpo, mas fui para uma outra sala. Veio outro senhor e pediu para que eu sentasse numa bancada. Encheu novamente a cumbuquinha e enxaguou os meus cabelos. Esfregou e massageou-os com um xampu de ervas. Cara!!.... Que lavada capilar!! Nem os salões mais requintados de Uberlândia chegam aos pés (às cabeças). Mais uma vez foi muito bom!!

Depois de toda essa "lavação", tomei uma ducha, e fui para a próxima e última etapa, a massagem de óleo. O que mais me agradou foi a massagem nos dedos das mãos e dos pés, aliviando e relaxando cada um. Meu banho durou aproximadamente 2 horas. Quando saí a Cristina ainda estava lá. Me contou depois que da outra vez passou 5 horas lá dentro.

Depois deste banho relaxante e prazeroso, a Cris ainda quis tomar suco de romã rei (enorme e com sementes vermelhinhas). Encontramos uma lanchonete e eles espremeram (maquinário especial) na hora. Chegamos no hotel à 01:30h. Sabe o que fizemos? Comemos aqueles docinhos, lembra? Um mais gostoso que o outro. Eles lembram muito os quitutes árabes.

Depois da Grécia e antes de viajar para a Índia, voltamos para Istambul, para mais 5 horas de escala. Claro que fomos ao centro da cidade. Demos uma volta no Mercado Egípcio e tomamos uma sopa de lentilhas e chá de rosa mosqueta num restaurante. Este mercado é menor, menos tumultuado e mais "a bom mercado" (barato) que o Grand Bazaar, mas não menos grandioso.


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