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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

"Compras na base da confiança"

por Rejane Paiva - Suíça

Uma coisa inacreditável que existe na Suíça é a confiança no outro ser humano. Por todo o país, muitos pequenos produtores colocam sua produção a venda, sem precisar qualquer pessoa para controlar, receber o pagamento ou entregar a mercadoria.  Confia-se no passante, seja ele quem for. Então, ao fazer uma caminhada  matinal, é muito comum encontrar um campo de girassóis em que você pode andar por entre as flores (cercas são coisas raras ali, apesar de a propriedade particular ser algo sagrado), escolher os exemplares de que mais gosta, e levar para enfeitar a sua própria casa.



E isso acontece não só com girassóis: há flores de todos os tipos e qualidades, frutas, verduras, legumes, ovos, leite, milho verde... você entra pelo milharal e apanha as espigas que quer. Geralmente há uma plaquinha com o custo individual da espiga, e um cofrinho onde, depois de feito o cálculo total da sua colheita, pode-se deixar o dinheiro depositado.

Plantam e vendem assim as tulipas, lírios, dálias, peônias, palmas, rosas, e uma variedade imensa de flores. Você compra as flores de ninguém.



Basta colocar lá as moedinhas, escolher o que quer e manter os vasos da casa floridos. Pasme: não há viva alma dentro do raio de visão.


E as pessoas respeitam as regras. Vão lá, colocam as moedinhas e saem felizes da vida com as flores escolhidas a dedo para enfeitar a casa.

Não é interessante?! É tudo baseado na cidadania, na confiança e no livre arbítrio. Adoro saber que em alguma parte do planeta algo assim ainda seja possível.


Neste caso que registrei nessas imagens, cada flor de girassol custava CHF 1,20 (Um franco suíço e vinte rappen), ou R$ 2,40(dois reais e quarenta centavos). Sai muito mais barato que comprar no supermercado ou na floricultura.




Fiquei ainda mais incrédula ao encontrar o mesmo sistema nas vinhas. O vinho já engarrafado, prontinho para consumo, nos galpões das fazendas, onde você adquire as garrafas que quer e deixa lá o dinheiro equivalente. No caso do vinho branco, já vêm mesmo geladas. Retira-se direto do refrigerador.

Mas onde estão os produtores ou proprietários dali? Talvez aproveitando a vida, quem sabe? Normalmente estão no trabalho, no campo ali ao lado, preparando a nova safra. Quando terminam o dia, podem encontrar nos cofres o pagamento garantido daquilo que se vendeu por si mesmo enquanto trabalhavam.

Fico pensando no Brasil... Será que algo assim será um dia possível? Porque na verdade não há prazer maior que sentir-se respeitado como cidadão a ponto de ter o acesso a uma propriedade privada permitido, acreditando que vamos escolher pessoalmente o melhor da produção e, no final, agradeceremos a confiança pagando nada mais que o preço justo, quase sempre abaixo do valor nos mercados instituídos. Não lhe parece bem?


3 comentários:

  1. e é por isso que eu queria morar na suiça, kkkkkkkkkk passa lá? www.estudoazul.com

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  2. um post desse,deixa varios sentimentos...

    esperanca
    inveja
    respeito
    vergonha
    revolta
    E outras coisas desencantadoras..infelizmente.

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  3. Esse post me faz lembrar o mundo de meus sonhos, onde vivem pessoas que respeitam seus semelhantes,que tem como princípio a cidadania e o amor ao próximo, a honestidade, o respeito ao trabalho e às coisas dos outro ! Muito bacana esta postagem, Rejane, ela nos traz esperança.

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