EDITOR : ALEXANDRE FRANÇA
COLABORDORES : ANDRÉ REIS E BETH SHIMARU
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sexta-feira, 24 de maio de 2013

"CRIANÇANDO 4 - Meu filme, seu filme"

por Fernanda de Oliveira

Todos, quando crianças, tivemos um “filme que mais vimos na vida”. Um que nos fez voltar ao cinema várias vezes ou implorar “ mãe coloca de novo!” E de novo e de novo...

Como se quiséssemos reaver aquela primeira sensação.

Te convido a recordar agora aquela fase em que decorávamos cada cena do filme preferido, que recitávamos as falas e até sonhávamos com os figurinos! E que gritávamos em susto “Essa parte é a melhor”!

Qual é o SEU filme?

Neste exercício de rebobinar a si mesmo, torna-se fácil entendermos de quais fontes surgiram o que somos. Por isso que adoro começar uma história com “quando eu era pequena...” ! Minha memória, minha aliada...


No meu caso, não tenho noção de quantas vezes assisti The Sound of Music (Noviça Rebelde). Milhares talvez, “globalmente” dublada e regravada em uma fita Vhs já gasta por inúmeras novelas!


Imagino eu que tenho o privilégio de ainda me lembrar exatamente da primeira vez que o vi! Nos meados dos meus oito anos, como calmante, seguido do tradicional “Vê se dorme”. Mas chegando a hora do casamento da Maria e Capitão Von Trapp (não querendo ser spoiler) minha avó, espertinha, desliga a TV e fala: “Acabou! Pra cama Paula e Fernanda”.


Fui dormir obediente, com a noção e excitação de ter visto o “meu filme”. A sensação era de ter me encontrado, de ter me visto, como se tudo o que eu gostaria em humor, música e inocência fosse possível de se assistir.

No dia seguinte a surpresa não me coube, contada em uma cara bem lavada!


Eu ainda tinha uma hora ou mais de filme! Que sonho é esse em que você pode ver a Branca de Neve casada em sua vida já no castelo, ou a Mary Poppins em sua casa nas nuvens? Ou ver o dia-a-dia feliz do Senhor Gepeto com um menino de verdade?.... Dá pra imaginar....


Quem sabe essa magia toda a mais seja um dos motivos pelos quais alguns de nós vivem assim cantando, dançando e escalando seus sonhos...


Fraulein Maria trouxe música à vida do Capitão Von Trapp e minha avó para a minha.




segunda-feira, 6 de maio de 2013

"Criançando 3 - Miniaturas de mim"

por Fernanda de Oliveira


Fico me perguntando porque nós, quando meninos e meninas, gostávamos tanto de tudo em miniatura? Acho que não é só porque cabiam às mãos, mas porque cabia aos olhos todo um universo imaginário que montávamos com elas.

Um campo de treinamento do “Comandos em Ação” com quartel general e helicópteros,

casa completa da Barbie de secador a elevador, 


castelo de Greyskull com passagem secreta e masmorra,

Playmobil e outros mil... 

um mundinho montado com esmero para soltar o inconsciente, armar o seu herói ou se entender com a própria personalidade que ainda se formava.

Independente se o nosso mundo era azul ou rosa, fofo ou brutal, entrávamos nas minúcias e nos víamos ali embarcados sem reserva no nosso âmago. Sabíamos o que queríamos exatamente.

E quantas vezes ainda hoje fazemos estes projetos em nossas mentes de insônia! Organizamos nosso futuro, visualizamos sonhos, almejamos uma vida, planejamos tudo, tim tim por tim tim.


Brincando de viver até hoje, e isto ainda é divertido?

O que te leva a sorrir neste universo de verdade?

O seguro é entendermos que esta criança ainda está dentro de nós, como diz o clichê. Se tivermos alguma dúvida do que aspiramos verdadeiramente é só perguntar a ela, que receberemos a solução melhor do que qualquer livro de auto ajuda.

Por isso que guardo minhas miniaturas de Polly Pocket! Elas ainda tem o poder de me transportar para dentro das casas fofas e cheias de mim.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

"Criançando 2 - O mundo da criança"

por Fernanda de Oliveira


Quando eu era criança, exatamente aos 5 anos de idade, me foi apresentado um livro cuja a capa era de couro, vermelha, e as ilustrações mais fofas do mundo. O livro parecia traduzir todos meus desejos e entender tudo que eu gostava. Namorava cada página, decorava cada figura, me apresentava para cada rostinho e absorvia e recitava cada verso. Assim conhecia a poesia com a coleção “O mundo da Criança”. Imagino eu que muitas casas brasileiras contém esta memória gostosa de ter os 15 livros dessa coleção.


A coletânea “O Mundo da Criança” foi lançada na década de 50 (na verdade era uma obra americana) e foi traduzida e vendida no Brasil inteiro. Os livros são muito completos, contém poemas da primeira infância, de fadas, animais, aventuras , países, grandes homens e feitos famosos, natureza, aprendendo a brincar, ciência e indústria, arte, música, orientação e desenvolvimento da criança...abordam os mais variados temas.


Hoje me pego cheirando meu livro, e o cheiro me faz voltar ao tempo em que não conseguia segurá-lo direito.


Uma sensação gostosa de me reencontrar com a inocência, com o mesmo conforto de quem se depara com um verdadeiro amigo.


Um livro tem aroma, tem cor tangível, tem matéria... eu sei que as coisas mudam ... e isto é progresso. Mas toda criança merece ter guardado em si o potencial de uma oportunidade deste tipo, poder ter esse gostinho de gratidão da arte tangível. Através dos sentidos poder abraçar e ter carinho pelo seu passado e por ele mesmo.



sexta-feira, 12 de abril de 2013

"Criançando"

por Fernanda de Oliveira

A moda agora, ou necessidade, é correr atrás do que estragamos. Sentamos errado uma vida ... fazemos RPG; nos empanturramos sempre...compramos grãos que desconhecíamos; nos estressamos...fazemos yoga; abusamos do álcool... enriquecemos a farmácia, e por aí vai... nossa lista de afazeres e reparações são muitas vezes a razão de viver...


Tem coisa mais linda do que ver um bebê dormindo? A barriguinha dele subindo e descendo! Sabe qual a diferença de nós? Não é porque somos barbudos ou estamos usando nosso aparelho ortodôntico ante rangidos enquanto dormimos não. É porque eles sabem respirar certo, eles usam o diafragma da maneira correta para respirarem. Usam toda a caixa torácica para trazer o ar para dentro. Nós desaprendemos e passamos a respirar pela metade por stress...afobamento. Respiramos tão rápido, enchendo rapidamente o peito sem dar tempo nem para os pulmões. Quando adultos, paramos de ter respiração diafragmática.


Nós, quando crianças, podemos nos ensinar muito mais do que imaginamos.


A criança vive o presente, ela se alegra com o simples, não entra em desilusão porque não cria expectativas exorbitantes ou planejamentos desumanos. A criança fica naturalmente satisfeita com um sorriso ou um picolé e com isso está com a mente aberta para aprender e criar com muita facilidade. Pois na infância espontaneamente a mente não boicota a felicidade, da mesma forma que um adulto. Ela facilmente se acha merecedora de uma gargalhada plena e não se camufla por culpas ou qualquer engano traiçoeiro que a nossa mente cria.


Eu, Fernanda de Oliveira, vou amar reviver coisas legais da infância e partilhar com todos aqui no Blog GiraGiraffa. Vai ser meu momento doce e descontraído, compartilhando e aprendendo com o universo infantil.