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sexta-feira, 12 de julho de 2013

"A VIDA DO JENIPAPO"

por Alexandre França


Essa fruta de nome estranho é pouco conhecida das pessoas mais jovens. Talvez por seu plantio não ser tão usual, ou mesmo pela falta de interesse de grande parte das pessoas em cultivar plantas, conhecer suas benesses e se dedicarem-se em mantê-las. Os argumentos corriqueiros de falta de espaço, falta de tempo, falta de dinheiro...., acabam por limitar nossa percepção sobre esse infinitamente rico mundo natural. Enquanto pensamos um pouquinho sobre essa questão, apresento aqui alguns aspectos sobre essa singular fruta.


O levantamento de dados foi feito por Valdemar Sibinelli.


De tronco, liso e de até 15 metros de altura, dá uma madeira branca, de fácil manejo para esculturas, fabricação de móveis e para a construção civil. Da polpa do fruto verde se extrai um líquido que, a princípio, parece água, mas em contato com o ar oxida e vira uma tinta entre azul escura e preta. Com ela, os índios se pintam e adornam objetos. É desta qualidade, aliás, que derivou o nome jenipapo, do tupi-guarani nhandipab ou jandipa, ou melhor, "fruto que serve para pintar". E se você pensou em se pintar de índio com jenipapo, é bom saber que, por mais que se lave, a tintura só sai depois de sete a nove dias, espontaneamente.


A fruta é redonda ou ligeiramente oval, com cerca de 6 a 8 centímetros de diâmetro. Quando madura tem sabor agridoce e aroma bastante acentuados. Como a maioria das frutas tropicais, é altamente perecível. Por isso, ela é mais consumida in natura nos Estados de Amazonas, Pará e Acre, regiões de maior ocorrência. Quem não se importa com o cheiro forte corta a polpa do fruto maduro em pedaços, amassa, mistura com açúcar e — se preferir — deixa algumas horas na geladeira. É a jenipapada. Uma variação da jenipapada é fritar o fruto na manteiga e acrescentar açúcar e canela.


Com o jenipapo se faz doce, bala, geléia, pudim, refresco, suco e — o produto mais conhecido —licor, vendido em todo o Brasil. A medicina caseira, do jenipapeiro só não aproveita o tronco. Entre os povos amazônicos, o chá da raiz é usado como purgativo e antigonorréico. As folhas, em forma de decocção, são indicadas contra diarréia e sífilis; como chá, contra gastrite. Da casca se faz um chá purgativo ou emplastro, de uso externo, contra úlceras, faringite e dores de origens várias. Alguns indígenas da Amazônia aplicam a polpa do fruto verde no dente, para tirar a dor. Os nordestinos fazem um xarope para tosse, o "lambedor", que, acreditam, dá energia aos homens e maior poder de atração às mulheres.


O jenipapo é rico em ferro e riboflavina, a vitamina B2 necessária para a formação de hemácias (as células vermelhas do sangue), produção de anticorpos, crescimento e prevenção da catarata. Por isso, com base na tradição da medicina popular, é usado — in natura ou nas variadas formas de consumo — contra anemia, icterícia, asma, hidropsia e problemas do fígado e do baço.



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